Tecnologia e Cognição

shutterstock_224343004-2

O uso racional da tecnologia é uma excelente forma de estímulo cognitivo. Hoje em dia, estudos científicos sugerem que um dos quesitos mais importantes para se conquistar vitalidade cognitiva, independente da idade, é manter a mente sempre ativa e desafiada com novos estímulos. O aprendizado de novas habilidades, como, por exemplo, uma nova tecnologia, estimula circuitos cerebrais de diferentes áreas, o que pode contribuir para a criação de novas memórias, com a criação de novos circuitos cerebrais e o fortalecimento dos circuitos já existentes. Tudo isso contribui para maior agilidade mental e eficácia na realização das tarefas do dia a dia.

Uma das mudanças que ocorre no envelhecimento saudável é a redução da velocidade de processamento das informações, ou seja, ficamos mais lentos para captar os diferentes estímulos do meio ambiente, para fixar as informações e responder a elas. Além disso, o indivíduo idoso é mais vulnerável física, mental e emocionalmente. Dependendo de suas condições, ele pode expressar, circunstancialmente, um pior desempenho em suas atividades e isso pode acabar reforçando uma visão negativa acerca de suas capacidades. Portanto, o idoso é mais suscetível a ter falhas de memória, sendo importante buscar aprender como melhor utilizar suas capacidades. No caso de falhas persistentes que interfiram de modo significativo no seu dia a dia, é fundamental que ele procure ajuda de um profissional especializado para a realização de uma avaliação cognitiva.

Dependendo do tipo de tecnologia utilizada, diferentes habilidades cognitivas como memória, atenção, coordenação motora fina e funções executivas podem ser desenvolvidas, favorecendo a aquisição de novos conhecimentos e até mesmo aumento da segurança e da confiança do indivíduo.

Apesar dos muitos potenciais benefícios, a tecnologia também pode nos trazer alguns problemas. No caso do uso das redes sociais, por exemplo, a falta de domínio no manuseio e o uso indiscriminado podem gerar equívocos na comunicação, ansiedade e estresse.  O vício é outro grande potencial malefício, particularmente perigoso, que pode favorecer o isolamento social e a depressão. É sempre bom lembrar que excesso é prejudicial. Deve-se buscar o uso racional da tecnologia em qualquer idade.

Mesmo para quem tem domínio do uso das tecnologias e lida com elas com facilidade, é necessário lembrar de não se “apoiar” exclusivamente nelas. É essencial que se vá além disso. Mais importante do que a tecnologia propriamente dita, é o compromisso que o indivíduo deve assumir com o aprendizado constante, com a busca de novos conhecimentos e com o aprimoramento pessoal. O uso da tecnologia é muito bem vindo, mas deve ser conciliado com diferentes atividades, de preferência aquelas que envolvam interação social. A tecnologia é apenas um recurso para se alcançar maior vitalidade, não um fim em si mesmo.

Projetos pioneiros de promoção de integração social por meio das tecnologias nos lembram de como podemos enriquecer nosso dia a dia com o uso consciente dos meios digitais. Existe, há alguns anos, nos Estados Unidos um projeto chamado “Speaking Exchange” que conecta idosos aposentados, que moram em instituições de longa permanência, com jovens brasileiros que estudam inglês através do Skype. Um serviço similar existe no Reino Unido, o “The Granny Cloud”, que conecta idosos aposentados ingleses com crianças na India. Esses são apenas alguns exemplos bem sucedidos de inserção da tecnologia na vida cotidiana, que promovem aprendizado, interação e inclusão social. São lembretes de como podemos usar a tecnologia a nosso favor, no aqui e agora, para a melhor expressão de nossas habilidades.


 

Últimos posts por Robson MArtins dos Santos (exibir todos)

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *